Lia - Home Page LIA
RIBEIRO
DO VALLE
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BIOGRAFIA
Lia nasceu no ano de 1934, em Guaranésia, uma pequena cidade ao sul do estado de Minas Gerais. Educada em colégios de freiras, precocemente foi seduzida pelos encantos das artes plásticas, ficando notadamente enamorada pela obra do grande mestre holandês, Vincent Van Gogh. Influenciada pela estética expressionista do artista, Lia encenou seus primeiros passos na pintura na década de 50. De maneira autodidata, paulatinamente foi construindo seu próprio estilo na pintura de quadros a óleo. Anos mais tarde, teve sua técnica aprimorada pelo pintor e professor carioca Davi, cuja obra é altamente conceituada e internacionalmente premiada. Retratando essencialmente motivos paisagísticos, no estilo impressionista com toques acadêmicos, Lia procura expressar em suas telas a beleza e a serenidade que a natureza revela à sua visão artística.
Neste site, a pintora apresenta uma parte de seu acervo e convida todos os admiradores da arte da pintura a visitarem seu ateliê e apreciar o lirismo e a densidade de seus traços.
REFLEXÕES
Porque é a melhor maneira de realizar um sonho que desde menina acalento.
Quando mocinha sonhava me tornar uma pintora famosa, retratar toda beleza que via na natureza e nas pessoas. Eu seria a edição feminina de Van Gogh, cuja biografia havia lido e sempre tornava a ler. Mas as garotas daquela época eram programadas para casar e ter filhos. Mal saiam da infância, as mães começavam a fazer seus enxovais. Estudos, quando muito colégio de freiras e o curso normal. Universidade, só para os irmãos, homens.
Então com 21 anos me casei e fui cumprir minha missão. Tive 7 filhos, cinco meninos e duas meninas. Por 15 anos me vi envolvida com mamadeiras, fraldas, papinhas e cantigas de ninar. Depois, livros de história, uniformes, lancheiras e lições de casa. Às vezes, me lembrava do sonho de menina e pensava: quando os filhos crescerem! Afinal, estava vivendo uma realidade muito agradável, criando meus filhos, crianças inteligentes, meigas, responsáveis e muito queridas.
Os filhos cresceram e cada um seguiu a vida que escolheu. Dois rapazes e uma das meninas foram para a Europa, onde moram, trabalham, constituíram família e, temo, nunca voltarão. Só por pequenas visitas deixando muita saudade. Dois rapazes e a outra menina ficaram no Brasil. Seguem suas carreiras e muito me orgulho deles. O mais novo faleceu num trágico acidente, quando tinha 17 anos.
Tanto trabalho, tanta tristeza e muitas alegrias não fizeram eu me esquecer do meu sonho. Fiquei mais velha e minhas mãos envelheceram também. A facilidade que eu tinha com o lápis emperrou por falta de exercício. Não sonho mais em me tornar pintora famosa, nem ser um Van Gogh de saia. Quero apenas colocar nas telas a beleza que continuo vendo na natureza e nas pessoas...